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São Paulo, 23 de Julho de 2014
 
  Entrevistas  
 

Patrulheiro Joca, exclusivo no RA.

Segundo ele mesmo afirma, são 18 horas diárias de patrulhamento há 37 anos.
Mas o que tanto esse cara patrulha?

João Carlos Ribeiro, o Joca, tem espírito empreendedor. Trabalhou nas principais emissoras de rádio de São Paulo. Aos 46 anos, continua com o sua marca registrada: o sorriso na voz. Com a voz que sorri ele conquistou ouvintes e parceiros, seja no ar com "A Hora do Ronco" (sem Joca, mas até hoje com o amigo Pedro Luiz Ronco) ou implantando idéias vencedoras no rádio como as transmissões esportivas no FM. Foi também responsável pelo projeto da Alpha FM e Diretor Geral da Band FM por onze anos.

Empresário artístico, radialista, produtor, locutor e jogador de futebol nos finais de semana, ele anda envolvido ultimamente com mais uma patrulha criativa: a Conteúdo Radiofônico.

Tudo isso na entrevista a seguir:


RÁDIO AGÊNCIA - Joca, você não enjoa de fazer rádio?
JOCA - Não há lugar mais comum do que a frase "rádio é cachaça". Mas é verdadeiro, não tem jeito. São só 37 anos. Eu preciso aprender a fazer esse negócio...

RA - Quantos?
JOCA - Trinta e sete. Estou com 46 anos de idade, o meu primeiro emprego no rádio foi com nove anos: faça as contas...

RA - Não acredito.
JOCA - O meu primeiro emprego foi na Rádio Globo de Uberlândia, em 1969. Entrei lá com nove anos.

RA - Veio para São Paulo para trabalhar na...?
JOCA - Eu vim para São Paulo para trabalhar na Antena 1, em 1981. Recebi um convite do Arnaldo Sacomani para trabalhar na Antena 1. Eu trabalhava numa afiliada em Uberlândia. Julinho Mazzei foi lá fazer uma daquelas apresentações do Big Apple Show e acabou me ouvindo na rádio e gostou. Voltando, falou com o Arnaldo e eles me convidaram. Fique uns 10 meses na Antena 1 até ser convidado para trabalhar na Jovem Pan pelo Luis Fernando Magliocca e pelo Luis Henrique Romagnolli. Claro que também fui convidado por aquele rapaz lá, dono da Jovem Pan, que é meu amigo até hoje.

RA - Tutinha. Voltando um pouquinho, lá em Minas Gerais, você já coordenava a rádio, não?
JOCA - Sim. No interior você acaba aprendendo a fazer de tudo. Antes de tudo eu tinha sido programador. Eu entrei no rádio como "gandula de disco", era auxiliar de programação. Eu pegava a programação, ia até a discoteca, pegava os discos, colocava num carrinho e levava até o estúdio. O operador trabalhava ali e depois eu recolhia. Depois eu virei programador, produtor. Quando o FM chegou no final dos anos 70 eu já tinha 10 anos lá na rádio.E aí eu fui ser locutor. Com 18 virei locutor da rádio FM.
Um grupo que era de uma faculdade de Ribeirão Preto tinha uma rádio em Uberlândia e fizeram um acordo operacional, um convênio. Na época ainda não tinha essa configuração total de rede de rádio. Eles assumiram a bandeira da Antena 1 em Uberlândia e me chamaram para coordenar a rádio.

RA - Você chegou do interior como coordenador. Em São Paulo você começa a trabalhar com Sacomani, Romagnollli, Magliocca, Tutinha. Como é que você fez? Zerou tudo e aprendeu de novo? Interior e capital são coisas bem diferentes, não? Naquela época, o começo do FM, todo mundo estava aprendendo a fazer junto? Como que era? Como o Joca virou o Joca?
JOCA - Essa é uma pergunta que ninguém nunca me fez. Nunca tive nenhuma dificuldade de lidar com regras e coisas do tipo... Eu nunca tive problema com disciplina, aprendi muito cedo com meu pai que, quando você faz a sua parte e faz bem feito, você vai se dar bem, teoricamente, com as pessoas que são seus superiores. Eu sempre tive isso. Nunca tive nenhum tipo de problema. Pelo contrário, acho que fui muito bem tratado por todo mundo. Na Jovem Pan, o Tutinha tinha fama de brigão. E ele nunca brigou comigo. Trabalhei lá sete anos.
Tenho um amigo lá, o Emilio Surita, que falava para todo mundo que o Tutinha não brigava comigo porque ele tinha medo de mim, porque eu parecia o Maguila (risos). Mas eu não tive dificuldades não: quando cheguei na Antena 1 para ser locutor, depois de três meses passei a ser coordenador de promoção. Eu já controlava todos os prêmios da rádio, fazia as promoções. Tinha dois empregos dentro da Antena 1. Passava o dia inteiro na casa que tinha ali na Avenida Cidade Jardim, depois subia lá para o estúdio na Consolação. Tempos bons aqueles. E depois na Jovem Pan foi a mesma coisa, não tive dificuldades não.


RA - Você também teve sorte, de estar no lugar certo, na hora certa e saber fazer as coisas, claro. Por exemplo, você pegou o negócio da Pool FM, que durou relativamente pouco tempo e logo pouco depois o Neneto te jogou outro projeto na mão que foi fazer a Rádio Alpha, que está aí até hoje. Uma projeto que aparentemente não deu certo e outro que está no ar até hoje. Fale disso.
JOCA - Saí da Jovem Pan para fazer a Pool FM porque não via muitas perspectivas para mim, tinha já uns três anos de casa e fiz um acordo com o Tutinha: iria fazer a Pool e voltaria, que era uma experiência importante para mim e tal. E a proposta financeira era sensacional. Era dez vezes o que eu ganhava na Jovem Pan. Talvez por isso que a rádio não tenha dado certo (risos). Mas deu para aprender muita coisa, foi muito legal. E na Pool eu fiz uma amizade muito grande com o Neneto, a gente se entendeu muito bem. E em 87 o Neneto me fez a proposta de montar o projeto da Alpha. Fiz todo o projeto da rádio: escrevi a rádio do começo ao fim, como ela deveria ser, todas as idéias. Mas eu não saí da Jovem Pan, continuei trabalhando normalmente. Tudo o que fazia na Alpha era fora dos horários da Pan, ainda que isso tenha gerado um certo ciúme do Tutinha.

RA - Como assim?
JOCA - Porque antes eu fazia o horário das sete às onze da manhã na Jovem Pan e ficava lá o dia todo. Bolava quadros de humor do Café com Bobagem que estava começando, por exemplo. Eu e o Emílio morávamos praticamente dentro da rádio. E de repente...eu sumi! Fazia o meu horário, gravava o que tinha que gravar e sumia da rádio. Acabei fazendo a Alpha junto com a Jovem Pan. Nesse período, de 82 até 87 na Pan, durante um ano eu trabalhei na Transamérica, eu era o coordenador da rede da Transamérica. Era uma rede que não tinha satélite ainda. Era tudo gravado. Eu trabalhava com o Adilson e com o próprio Calill que hoje está na Pan. E eu fiquei lá um ano, trabalhando nas duas rádios. Depois apareceu o lance da Pool, depois o projeto da Alpha. Mas é isso mesmo que você disse: dei sorte de estar no lugar certo e de não ter medo. Durante muito tempo trabalhei em dois empregos. Acho que até hoje faço isso.

RA - Eu sou do Rio de Janeiro e quando cheguei em São Paulo logo comecei a ouvir falar de você, da sua fama de polivalente. Nessa época você já estava na Band. E tinha estúdio de gravação e ao mesmo tempo estava metido com Placa Luminosa, Jane Duboc, com gravadora.
JOCA - Eu sempre fui muito ligado à música. Com 17 anos de idade, comecei a trabalhar com produção de shows. Trabalhava no rádio mas também com produção de shows. Por motivos quase que óbvios. Eu fazia produção local para o Manoel Poladian. Fazia na região de Uberlândia, Uberaba. Cheguei a fazer até em Goiânia. Na época ele tinha o Zé Ramalho, a Gal Costa. Ele nem me conhecia. Eu era o produtor do interior. Quando ele ia fazer show lá, eu alugava o ginásio, mandava fazer o ingresso, controlava mídia, a produção local em si. E eu sempre gostei muito de fazer isso. Por isso até hoje eu trabalho umas 18 horas por dia. Quando eu fui para Band, em 87, a rádio nem tinha estrutura. Me lembro que tinham só 17 FMs em São Paulo. Não vou me esquecer disso nunca mais: me falaram que a rádio não estava em último lugar, "estamos na frente da Cultura FM". A Band era 16º lugar e o Grupo Bandeirantes vinha de um período de muita dificuldade, inclusive financeira. A rádio, era muito largada. A rádio não tinha estúdio, não tinha cartucho, não tinha nada. Os divulgadores de gravadora iam até a rádio mostrar um trabalho e você tinha que ir até o estúdio do ar e ouvir em "cue"! A rádio tinha três espaços físicos dentro da Bandeirantes: um estúdio, que era um estúdio antigo de AM; a técnica, que tinha virado estúdio do FM , e a cabine de locução que também funcionava a programação. Um horror.
Quando fui falar com Ricardo Saad que eu queria pegar a Band ele falou: "olha te dou a administração da rádio 100% e assumo o seguinte compromisso: tudo o que você conseguir ganhar com a rádio, deixo você reinvestir na rádio. Mas você não vai tirar um tostão da AM ou da TV. Não tem dinheiro para você. Se você quiser pegar a rádio, pegue".
E eu peguei, foram onze anos. Eu não tinha muita alternativa. Dei uma olhada no mercado e pensei: vou fazer uma rádio black. A Bandeirantes já tinha uma certa tradição no meio dos anos 80 com o negócio do break, a rádio chegou a ser primeiro lugar. Como a rádio já tinha essa ligação com a black music eu comecei a fazer show com as equipes Black Magic, Chic Show, porque era a única maneira de ganhar dinheiro. No mercado normal, publicitário, a rádio era invendável. Era uma rádio mais queimada do que qualquer outra coisa. E começamos mesmo a fazer shows. Eu já tinha uma experiência de ajudar o Tutinha a fazer shows lá na Jovem Pan. E depois, quando vi que o universo black era limitado para a Band, eu já tinha resolvido o problema da rádio. Isso em dois anos. Como dali ela não ia sair mais comecei a transformar a rádio, abrindo a programação para ser uma rádio mais popular, uma rádio para brigar pelo primeiro lugar. E comecei a encontrar esses caras do segmento popular. Do sertanejo, do pagode, do romântico, etc.

RA - Por isso houve um envolvimento empresarial teu com os artistas?
JOCA - Eu comecei a conhecê-los. Fui fazendo amizade com alguns deles até que uns amigos meus me chamaram para ser sócio de uma produtora, que se chamava Espaço Livre, que já era uma produtora muito grande. Esses amigos eram os mesmos de anos atrás: o Sacomani, Wilson Souto e o Lucas Sálvio. Fiquei sócio da Espaço Livre mas relutei muito em ser empresário de artista. Eu não queria ser empresário de artista de jeito nenhum. Achava incompatível ser diretor de rádio e empresário de artista. Por mais que na Bandeirantes eu não tivesse chefe. O único chefe era o dono da rádio que descia lá para me abraçar. Ele só olhava o número financeiro, a audiência da rádio e pronto. Inclusive eu digo que bati um recorde: fui diretor da Bandeirantes por onze anos e, numa empresa que tinham três donos, nenhum dos três nunca pediu para trocar uma única música. Fiquei na Espaço Livre e a gente trabalhou com uma série de artistas, Beto Barbosa, Placa Luminosa, Jane Duboc, representamos Ricky Martin aqui para a América do Sul. Até que em 94 não teve jeito: acabei virando empresário do Só pra Contrariar e do Negritude Jr.


RA - Como foi essa história?
JOCA - Eu ainda não era empresário dos artistas. Apresentava os eventos, ajudava a fazer, aquela coisa toda, mas eu não era responsável por nenhum artista. A Espaço Livre cresceu muito, chegou até a aumentar o número de sócios.Até que fizemos uma campanha política para o PMDB e os caras pagaram só a metade. Nos deram um belo tombo. Uns 5 milhões de dólares. A empresa ruiu, quebrou. Eu não tinha nada a ver com aquilo efetivamente, eu só trabalhava e tinha uma participação. Na hora de dividir a empresa, eles decidiram - os sócios - em me dar dois artistas que estavam meio que começando. Fui eu que levei os artistas para lá. Então me deram o contrato daqueles dois artistas, que não valia absolutamente nada. Era uma maneira deles dizerem que eu não saí com uma mão na frente e outra atrás. Eram Negritude Jr. e o Só pra Contrariar.

RA - Lugar certo na hora certa de novo?
JOCA - Não tive outra alternativa a não ser ser empresário, abrir escritório com o pessoal que já trabalhava comigo. Virei empresário em 1994 do Só pra Contrariar, já que eu tinha trazido para São Paulo. O Alexandre Pires é filho de um amigo meu de infância. Conheci o Alexandre desde pequeno, me sentia meio responsável por ele. Fiquei quase cinco anos fazendo isso, sendo diretor da Band e empresário de artista. Até que ficou totalmente incompatível quando começou a carreira internacional do Só pra Contrariar. Eu tinha que viajar, sair do Brasil. Resolvi sair da Band. Fiquei dois anos sem trabalhar em rádio.

RA - É verdadeira essa história de que você morre de medo de voar de avião?
JOCA - Não é que eu morra de medo de avião. Eu tenho pavor! É um outro departamento(risos). Tenho problema sério com avião.

RA - O quanto isso te atrapalha?
JOCA - Atrapalha e muito. Recentemente, há uns três anos, retornei o trabalho com o Alexandre. Ele estava com carreira internacional e as pessoas da BMG Internacional eram meus amigos. Eram caras que conhecia há 10 anos e estavam lá como diretores mundiais da BMG. Eu sabia que com uma carreira internacional, iria ter que morar dentro de um avião. Fiz terapia, tratamento, tomei remédio. Houve um período que em seis meses voei nove vezes para os Estados Unidos. Tive complicações médicas, chegava lá nos Estados Unidos com dor no estômago. Até que um médico americano, filho do Hélio Costa, Ministro das Comunicações, me disse que psicologicamente consegui vencer o medo. Mas o corpo, não. Que a chance de eu descer de um avião e ir direto para uma mesa de cirurgia era grande: peguei uma doença que se chama Síndrome do Intestino Irritado. No meu tempo de criança isso se chamava Nó nas Tripas. Ou seja, a história de avião é verdadeira.

RA - Quantas vezes por semana te chamam de "Patrulheiro Joca"?
JOCA - Enio, acho que quase todo dia. E tem uns caras que não me chamam nem de Joca. Só de Patrulheiro. O Emílio, Beto Rivera, Serginho Leite. O Alexandre Pires só me chama de Patrulheiro, não me chama nem de Joca.

RA - Quantos anos fazendo pela manhã o programa que ajudou a cunhar o apelido?
JOCA - A Hora do Ronco eu fiz de novembro de 1987 até 1996, quase nove anos. Acordando as seis horas da manhã para fazer rádio foram 15 anos. Eu acordo seis horas da manhã até hoje.

RA - Ficou condicionado, é?
JOCA - Exatamente. Tanto faz ser sábado, domingo, feriado. Minha mulher adora! Seis da manhã o cara levanta.Parece um zumbi.

RA - Você e Ronco ainda se encontram, saem para beber cerveja?
JOCA - Toda semana. Isso é sagrado.

RA - Toda semana?
JOCA - É. Eu gostaria que ele me esquecesse, mas não tem jeito.(risos) A nossa produtora é aqui no Morumbi, eu sempre morei aqui e ele também. Nós temos um grupo de amigos que se encontram direto. Esse grupo é muito antigo. Aos sábados, eu jogo futebol com o pessoal de agência de propaganda e a moçada da Rádio Bandeirantes. Em outubro serão 20 anos jogando bola juntos, na mesma quadra. Eu comecei a jogar lá, meu filho nem era nascido e agora ele está com 19 anos.

RA - O "Joquinha".
JOCA - É. Joquinha tem 19 anos.

RA - Ele faz rádio?
JOCA - Não, ele é professor de inglês e webdesigner. Ele está fazendo faculdade de cinema. Ele evoluiu, né? Não ficou na pobreza de rádio (risos).

RA - E a Conteúdo Radiofônico?
JOCA - A Conteúdo é um projeto que tenho há 10 anos. Há 10 anos queria montar uma produtora, foi quando comecei a pensar em sair da Bandeirantes. Porque muito mais que fazer rádio, eu sempre gostei mesmo de criar e fazer programas. Brinco muito com o Acácio (Luiz Costa, diretor da Conteúdo) porque ele pensa em rádio sempre como rádio e eu fico só pensando em criar programas. A minha idéia era ter saído da Bandeirantes, vender o Só pra Contrariar e montar uma produtora. Fiz isso no começo de 2000. Só que eu tinha informações e eu estava associado naquela época a uma empresa que estava tentando trazer para o Brasil o rádio via satélite. Cometi o equívoco de dimensionar o projeto muito grande, e isso o inviabilizou. Essa empresa que estava com a gente estava acostumada a grandes negócios. O negócio acabou ficando inviável porque eles chegaram a conclusão de que o rádio por satélite no Brasil iria demorar demais. Eu simplesmente engavetei o projeto por um tempo.
No final do ano passado jurei que iria tirar o projeto da gaveta. Não é nenhum ovo de colombo: é uma produtora que pretende colocar no mercado 15, 20 produtos, entre programas e programetes e ter uma rede. Trabalhar na mão inversa das redes de bandeira, dessa roda de networking.


RA - Você tem canal de satélite aí?
JOCA - Tenho.

RA - Como funciona?
JOCA - Alugamos um segmento espacial e compramos equipamente de uplink, que ainda não estamos usando. Por enquanto trabalhamos com remessa via internet e via cd, ainda é a maneira mais segura. Mesmo que seja mais cara. A proposta é bem simples. Criar programas de rádio e ter o diferencial da criatividade, da oportunidade, colocar produtos realmente bacanas no mercado, as redes são formadas por cada produto, ou seja, cada programa tem a sua própria rede. Começamos com a copa do mundo. Fizemos a copa e agora estamos estreando os programas.

RA - São programas nascidos na Conteúdo ou há programas vindos de outras emissoras?
JOCA - Nós trabalhamos com um leque bastante variado de opções. Eu posso criar um programa a partir do que já existe como a Rádio Tom. São quadros de humor com Tom Cavalcante e os personagens que ele faz e até de alguns humoristas que trabalham com ele. São as boas e velhas pílulas de humor com dois, três minutos para colocar na programação. Pego carona com o nome dele, com a televisão, ele vai anunciar no programa dele, etc. A gente tem aqui meia dúzia de projetos que estão andando, todos, nessa linha. Programas que já existem, por exemplo, o programa do Dudu Braga em que ele toca músicas do Roberto Carlos. É um programa que está em primeiro lugar em São Paulo e no Rio há quatro anos. O que a gente fez? Colocamos esse programa em rede, totalmente independente de qualquer bandeira Nativa. Como as duas rádios não são do mesmo grupo, o Ricardo Henrique lá no Rio pegou o programa e colocou em todas as rádios do grupo dele. Fez uma reserva. Brasília, Fortaleza, onde eles tem rádio. E o Neneto aqui em SP, pediu prioridade porque ele pretende fazer uma rede da Nativa e se um dia ele vier a fazer, ele tem uma prioridade nas praças onde eventualmente ele for abrir. Mas até que isso aconteça... O programa estreou dia 15 de julho e já está em 47 rádios.

RA - Esse programa já sai patrocinado da Conteúdo?
JOCA - Já sai patrocinado. O grande lance é não cobrar financeiramente pelos programas com as emissoras. Até porque haveria certa dificuldade em receber. O que fazemos é dar o programa: a cota nacional é nossa e as cotas locais são do radiodifusor. Se eu não vender a cota nacional, o azar é meu. Eu tenho que entregar o produto porque eles vão vender as cotas lá. É um jogo de todo mundo ganhar. A rádio ganha um programa bacana, com grande nome que teoricamente ela não teria muita condição de contratar, com uma bela produção.

RA - Vai com anunciante âncora que dá bastante prestígio%u2026
JOCA - Isso. E ela vende as cotas locais bem bacana. Eu vendo aqui numa condição de negociação bastante confortável para o anunciante onde ele não precisa ficar negociando rádio a rádio e nem cair na mão dos famosos representantes. Compra num preço infinitamente mais barato porque eu tenho condição de vender mais barato. Como eu não tenho que repassar dinheiro para ninguém, tenho flexibilidade, uma margem de negociação muito boa.


RA - Você falou do Acácio, quem mais está com você aí na Conteúdo?
JOCA - Está o Yves Andaku que é o diretor de rede; o Acácio que é um consultor de negócios; Carlos Cinquegrana no planejamento logístico e comercial; João Flávio Lemos de Moraes, Presidente; a Tatiana Hovoruski, coordenadora de produção, que inclusive é locutora da Nativa; Ademir Antunes Pereira na coordenação administrativa de todas as áreas envolvidas na operação da Conteúdo e o Dudu Braga, que é nosso sócio aqui na produtora e também o diretor de conteúdo. Uma outra coisa legal que estamos fazendo é receber sugestões de jovens das agências, dos anunciantes.

RA - Como assim? Explique melhor.
JOCA - Vou te dar um exemplo. Uma agência que trabalha com um banco que faz financiamento para aposentados. Quando fomos apresentar a produtora, eles disseram que não tinham nada para a terceira idade. O rádio não tem nada para quem tem mais de 60 anos. Foi assim que criamos um programa chamado "O melhor da vida", focado para ambos os sexos, um programa para o aposentado. Foi criado desde o principio com o foco de atender aquele cliente, que é um banco que faz financiamento para aposentados. Só que aí há uma inversão: mostro o programa para o cliente e se ele gostar eu cobro pela produção. Só aí vou negociar a veiculação desse programa com as rádios. Nesse caso tem um repasse de verba, entendeu?

RA - E como está sendo essa experiência nesse convencimento artístico do programa para terceira idade com as rádios?
JOCA - Esse, especificamente, foi muito tranqüilo porque você começa a trabalhar com rádios AM. E quando você vem com um dinheirinho na mão, tudo fica mais fácil. O radiodifusor acha bacana. Você chega lá e fala: Tá aqui um programa, são três boletins diários de um minuto de informação mais a menção do patrocinador e um programa de meia hora no domingo de manhã e tem esse dinheirinho aqui pra você.
A concorrência liga todo dia perguntando se não dá para colocar na rádio deles e eu respondo que é um por praça. Nós também compramos a ProSound, do Yves. A empresa foi incorporada aqui e temos feito um trabalho muito bom de aproximação com as emissoras fornecendo algumas coisas gratuitamente.

RA - Por exemplo?
JOCA - Vinhetas, tema para o Dia dos Pais, essas coisas. Pretendemos, no ano que vem, criar um clube de emissoras "sócias" da Conteúdo. As rádios receberão um super pacote ao longo de 12 meses para não ter que se preocupar com nada. Nós vamos dar para a emissora, ao longo do ano, tudo. Temas específicos, três pacotes de vinhetas, entrevistas, notícias, enfim, um kit completo de conteúdo. A idéia é que a rádio para ser sócia nos dê um pacote de inserções avulsas que tentaremos comercializar.

O patrulheiro não pára mesmo.


Site da Conteúdo Radiofônico

Por: Enio Martins
14h03 @ 02.08.2006
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